Mão de bebê fechada.

Alteração cromossômica grave e rara compromete o desenvolvimento do bebê em múltiplos sistemas

Receber uma suspeita ou um diagnóstico de síndrome de Edwards durante a gestação é uma das experiências mais difíceis que uma mulher pode enfrentar. Trata-se de uma alteração genética grave, associada a malformações severas em órgãos vitais, que impacta profundamente o prognóstico da gestação.

Compreender o que essa condição significa, por que acontece e quais exames confirmam o diagnóstico é fundamental para que a gestante e sua família tenham mais segurança nos próximos passos.

Saiba mais a seguir.

Receber um diagnóstico de Trissomia 18 desperta muitas dúvidas. Entender a condição é o primeiro passo para um acompanhamento adequado.

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O que é a síndrome de Edwards e por que ela acontece?

A síndrome de Edwards, também conhecida como trissomia 18, é uma alteração cromossômica caracterizada pela presença de três cópias do cromossomo 18 nas células do organismo, em vez das duas cópias habituais. Essa cópia extra é suficiente para desorganizar profundamente o desenvolvimento embrionário, afetando a formação de órgãos e estruturas essenciais à vida.

A condição não tem origem em comportamento, alimentação ou qualquer fator controlável pela gestante: ela resulta de um erro na separação dos cromossomos durante a formação do óvulo ou do espermatozoide, em um processo chamado “não disjunção meiótica”. Esse erro ocorre de forma espontânea e, na maioria dos casos, não se repete nas gestações seguintes.

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Como a trissomia 18 se forma no cromossomo?

Durante a formação dos gametas, os cromossomos precisam se separar de forma equilibrada para que cada célula reprodutiva receba exatamente 23 cromossomos. Quando esse processo falha e o cromossomo 18 não se divide corretamente, um gameta pode acabar carregando duas cópias desse cromossomo. Ao se unir a outro gameta normal na fertilização, o embrião resultante terá 47 cromossomos, sendo três cópias do 18.

Existem três formas de trissomia 18. A forma completa, mais comum e mais grave, ocorre quando todas as células do organismo apresentam a cópia extra. Na forma em mosaico, apenas uma parcela das células é afetada, o que pode resultar em manifestações clínicas menos intensas. Na forma por translocação, parte do cromossomo 18 se une a outro cromossomo, sendo a menos frequente.

O tipo mais comum e clinicamente mais grave é a trissomia completa, que representa cerca de 90% dos casos, segundo dados da Cleveland Clinic.

Como é uma criança com síndrome de Edward?

A síndrome de Edwards provoca malformações em múltiplos sistemas e órgãos, que podem ser identificadas ainda durante a gestação por meio de ultrassonografia detalhada. Entre as características mais frequentes, estão:

  • Cardiopatias congênitas graves, presentes em quase todos os casos, como comunicação interventricular e persistência do canal arterial;
  • Malformações cerebrais, incluindo ausência do corpo caloso e defeitos do tubo neural;
  • Comprometimento renal, com rins de morfologia anormal ou ausentes;
  • Mãos com dedos sobrepostos em posição característica, considerada um marcador clínico da síndrome;
  • Baixo peso ao nascer e retardo do crescimento intrauterino;
  • Micrognatia (queixo pequeno), orelhas de implantação baixa e fenda palatina;
  • Onfalocele (protrusão de órgãos abdominais pelo umbigo) e outras malformações abdominais.

A gravidade e a combinação dessas malformações variam de caso para caso, mas a presença simultânea de comprometimentos cardíaco, neurológico e renal é o padrão mais frequente na forma completa da trissomia 18.

Por quanto tempo vive uma criança com síndrome de Edwards?

A síndrome de Edwards está associada a um prognóstico muito reservado. Estima-se que cerca de 50% dos bebês que chegam a nascer vivos não sobrevivem além da primeira semana de vida, e apenas 5% a 10% alcançam o primeiro ano. A maioria dos casos resulta em perda gestacional espontânea ainda no primeiro ou segundo trimestre.

Diz-se que a síndrome de Edwards é incompatível com a vida porque está associada a múltiplas malformações graves em órgãos vitais, como coração, cérebro e rins, o que compromete fortemente as funções essenciais do organismo. Nos raros casos de sobrevida prolongada, os bebês costumam necessitar de suporte intensivo contínuo e apresentam comprometimento neurológico severo.

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Qual é a frequência e quando a síndrome pode acontecer?

A síndrome de Edwards é a segunda trissomia autossômica mais comum em nascidos vivos, superada apenas pela síndrome de Down. Sua incidência é estimada em aproximadamente 1 a cada 5.000 nascimentos. Contudo, dado o alto índice de perda gestacional espontânea, a frequência real de gestações afetadas é consideravelmente maior.

A trissomia 18 pode ocorrer em qualquer gestação, independentemente do histórico familiar ou do estado de saúde dos pais. Não existe faixa etária isenta de risco, mas a probabilidade aumenta de forma progressiva com o avanço da idade materna, assim como ocorre com outras trissomias.

A síndrome de Edwards é hereditária?

Na grande maioria dos casos, a síndrome de Edwards não é hereditária. A trissomia completa e a forma em mosaico ocorrem de modo esporádico, sem que os pais apresentem qualquer alteração cromossômica. O risco de recorrência em gestações subsequentes é baixo, girando em torno de 1%, embora a idade materna continue sendo um fator relevante.

A exceção é a forma por translocação, em que um dos pais pode ser portador de uma translocação equilibrada, sem apresentar sintomas, mas com risco aumentado de transmitir o rearranjo cromossômico para os filhos. Nesses casos, o aconselhamento genético e a avaliação do cariótipo dos pais são fortemente recomendados para orientar as decisões reprodutivas futuras.

Existe relação com a idade materna?

Sim. A idade materna avançada é o principal fator de risco associado à trissomia 18, assim como a outras trissomias. À medida que a mulher envelhece, os óvulos acumulam maior probabilidade de erros na separação cromossômica durante a meiose. Mulheres com 35 anos ou mais apresentam risco estatisticamente maior de ter gestações com alterações cromossômicas, razão pela qual o rastreamento pré-natal é especialmente recomendado nessa faixa etária.

É importante ressaltar, porém, que gestantes jovens também podem ser afetadas. A síndrome de Edwards não é exclusiva de mulheres com mais de 35 anos, e a ausência de fatores de risco não elimina a possibilidade de ocorrência. Por isso, o rastreamento pré-natal por meio de exames como o teste de DNA fetal não invasivo (NIPT) é uma ferramenta valiosa independentemente da idade.

O que a tentante precisa saber sobre a síndrome de Edwards?

A síndrome de Edwards pode ser suspeitada ainda no primeiro trimestre por marcadores ultrassonográficos, como translucência nucal aumentada, atraso de crescimento e ausência do osso nasal. No segundo trimestre, malformações estruturais cardíacas, cerebrais e a posição característica das mãos reforçam a suspeita.

O teste pré-natal não invasivo (NIPT), realizado a partir de 10 semanas de gestação com amostra de sangue materno, é um exame de rastreio de alta sensibilidade para a trissomia 18, mas não tem caráter diagnóstico definitivo. O diagnóstico confirmatório requer análise cromossômica direta do material fetal, obtido por amniocentese ou biópsia de vilo corial. Esses procedimentos são invasivos e, por isso, são indicados quando o risco calculado pelos exames de rastreio é elevado ou quando há achados ecográficos sugestivos.

Diante de um resultado confirmatório, o acompanhamento por obstetra de alto risco é essencial. A equipe multidisciplinar, que pode incluir geneticista e neonatologista, tem papel central em esclarecer as implicações do diagnóstico, discutir o prognóstico com honestidade e acolhimento, e oferecer suporte para que a gestante e sua família possam tomar as decisões que mais se alinham aos seus valores e às suas circunstâncias. Na Mater Prime, cada caso é tratado com a individualidade, a escuta e a seriedade que esse momento exige.

Para saber mais, agende sua consulta na Mater Prime.

Na Mater Prime, a investigação genética ajuda casais a compreender riscos e tomar decisões reprodutivas com mais segurança.

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Fontes

Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica

Cleveland Clinic

Rede D’Or São Paulo

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