Entenda os tratamentos imunológicos na FIV e quando eles são indicados

Veja como os tratamentos imunológicos na FIV funcionam e em quais situações são recomendados

Durante a gestação, o sistema imunológico da mulher precisa passar por adaptações para reconhecer e tolerar o embrião, que carrega material genético paterno. Quando essa resposta imunológica não é equilibrada, podem ocorrer dificuldades de implantação embrionária e até abortamentos recorrentes.

Nos tratamentos de fertilização in vitro (FIV), a avaliação imunológica da mulher ganha cada vez mais importância, já que falhas repetidas do tratamento podem estar relacionadas a alterações do sistema imune da paciente. Para esses casos, existem os tratamentos imunológicos na FIV, que visam regular a resposta materna, aumentando as chances de haver uma gestação saudável.

O que são tratamentos imunológicos na FIV?

Os tratamentos imunológicos na FIV englobam terapias que buscam corrigir ou modular alterações do sistema imune da paciente que possam interferir no sucesso da implantação embrionária. Eles são indicados quando o corpo da mulher apresenta uma resposta exacerbada, impedindo que o embrião seja reconhecido como compatível.

Essas terapias atuam regulando fatores como citocinas inflamatórias, células NK (natural killers) e anticorpos antinucleares, todos envolvidos no processo de aceitação do embrião. A modulação correta pode evitar que o organismo da mãe interprete o embrião como um agente invasor.

Um ponto essencial é que os tratamentos imunológicos na FIV não têm caráter universal: são aplicados apenas em casos específicos, após investigação detalhada. Sendo assim, o acompanhamento médico especializado é indispensável para definir a melhor abordagem.

Portanto, a proposta desses tratamentos não é “corrigir a fertilidade” por completo, mas sim criar um ambiente imunológico mais receptivo e equilibrado para a gestação.

Quando os tratamentos imunológicos são indicados?

A indicação dos tratamentos imunológicos na FIV ocorre em casos de falhas repetidas de implantação, abortos de repetição ou presença de alterações imunológicas identificadas em exames. Esses cenários sugerem que o sistema imune materno pode estar influenciando negativamente os ciclos de FIV.

Além disso, pacientes com histórico de doenças autoimunes, como lúpus ou síndrome antifosfolípide, podem se beneficiar das terapias imunológicas, uma vez que essas condições aumentam o risco de rejeição do embrião.

Sendo assim, a decisão pela indicação desses tratamentos depende sempre de uma avaliação criteriosa do especialista em reprodução assistida, que irá cruzar dados clínicos, histórico reprodutivo e resultados laboratoriais da paciente antes de recomendar qualquer protocolo.

Principais tipos de tratamentos imunológicos na FIV

A escolha do tratamento depende da causa imunológica identificada, sendo sempre individualizada. Veja os principais a seguir.

Corticoides

Os corticoides são prescritos para reduzir processos inflamatórios que possam dificultar a implantação embrionária. Eles agem suprimindo a atividade exagerada de células imunológicas e diminuindo a produção de citocinas do tipo Th1, associadas à rejeição.

Durante a FIV, os corticoides podem ser utilizados em doses controladas, sempre sob supervisão médica. A terapia visa alcançar um equilíbrio entre a resposta imune e a tolerância materna.

No entanto, o uso prolongado do medicamento exige cautela, pois pode aumentar a vulnerabilidade da paciente a infecções e trazer efeitos colaterais metabólicos.

Imunoglobulina intravenosa (IVIG)

A imunoglobulina é um dos tratamentos imunológicos na FIV em que a substância é aplicada para modular a resposta imune da paciente, equilibrando a atuação de anticorpos e células NK. Sua ação pode favorecer um ambiente uterino mais receptivo à implantação.

Estudos apontam que a IVIG contribui para a redução de abortamentos recorrentes em pacientes com histórico imunológico alterado.

O protocolo envolve infusões intravenosas em ambiente hospitalar, respeitando doses seguras para evitar reações adversas.

Intralipid na reprodução assistida

O Intralipid é uma emulsão lipídica usada inicialmente como suporte nutricional, mas que demonstrou efeito benéfico na modulação da atividade de células NK.

Ao reduzir a agressividade dessas células, o tratamento cria melhores condições para a implantação embrionária.

Por ser de baixo custo comparado à IVIG, o Intralipid vem ganhando espaço como opção terapêutica adjuvante em reprodução assistida.

Heparina e aspirina

A heparina, associada ou não à aspirina, é indicada em casos de trombofilias ou alterações de coagulação que prejudicam a nutrição do embrião.

Essa combinação atua na prevenção de microtrombos na placenta, favorecendo o desenvolvimento gestacional.

O acompanhamento rigoroso é essencial para evitar riscos de sangramento ou complicações durante o tratamento.

Terapias voltadas à modulação das células NK

As células NK, quando hiperativas, podem prejudicar a implantação. Existem terapias específicas voltadas à sua modulação, incluindo o uso de imunoglobulina, corticoides e Intralipid.

Essas intervenções visam reduzir a citotoxicidade das células NK sem eliminá-las por completo, já que elas também desempenham um papel importante na defesa imunológica.

A dosagem dessas células em exames laboratoriais auxilia na decisão clínica sobre a necessidade da intervenção.

Riscos e efeitos colaterais dos tratamentos imunológicos

Como qualquer intervenção médica, os tratamentos imunológicos na FIV podem apresentar efeitos colaterais, como retenção de líquidos, alterações metabólicas, reações alérgicas ou maior susceptibilidade a infecções.

Evidências científicas sobre a eficácia dos tratamentos imunológicos

É importante ressaltar que as pesquisas na área da imunologia da reprodução ainda são controversas e que as intervenções, quando propostas, devem levar em conta riscos e benefícios, e devem ser discutidas individualmente com o médico-assistente.

Embora não sejam aplicáveis a todos os casos, os tratamentos imunológicos na FIV podem representar uma alternativa para pacientes com histórico imunológico desfavorável.

Qual especialista procurar para avaliar a necessidade desses tratamentos?

A avaliação deve ser feita por um médico especialista em reprodução assistida, que terá conhecimento para indicar, monitorar e ajustar os tratamentos imunológicos na FIV de forma individualizada, sempre em conjunto com outros cuidados do ciclo de FIV.

 

Entre em contato com a  Clínica de Reprodução Assistida Mater Prime e saiba mais.

 

Fontes:

Klimesch, Yvonne. Avaliação da imunoterapia com leucócitos paternos em casais com falhas de implantação após FIV

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