Mãe brincando com criança ilustrando discussão sobre FIV e autismo.

Veja se a FIV torna possível a identificação do autismo durante a gestação ou se ela apresenta riscos para o desenvolvimento do transtorno

A primeira Fertilização in Vitro (FIV) realizada no Brasil aconteceu em 1984, e, desde então, a técnica passou por um processo contínuo de aperfeiçoamento, se tornando cada vez mais segura e com taxas crescentes de sucesso. Ao longo dessas décadas, milhares de crianças nasceram por meio desse método, reforçando a confiança na sua eficácia e segurança.

No entanto, a associação entre FIV e autismo ainda é levantada em algumas discussões. Essa conexão é incorreta, já que o espectro autista é uma condição extremamente complexa e não pode ser explicado unicamente por um procedimento de reprodução assistida.

Por outro lado, muitos pais confiam na FIV justamente pela sua capacidade de identificar e prevenir algumas condições genéticas antes da gestação. Nesse contexto, surge a dúvida: seria possível evitar um caso de autismo por meio do processo de FIV?

Para compreender a relação entre FIV e autismo, é importante lembrar que os transtornos do espectro autista são multifatoriais. Isso significa que dependem da interação entre fatores genéticos e ambientais, com múltiplas mutações ou alterações que, em conjunto, podem levar ao desenvolvimento da condição.

Relação da síndrome do X frágil com o autismo

Antes de entendermos se existe alguma relação entre FIV e autismo, é necessário analisar que a síndrome do X frágil é uma das causas mais comuns para o desenvolvimento do transtorno do espectro autista.

O cromossomo X, presente em homens (XY) e mulheres (XX), contém genes responsáveis por diversas funções biológicas e neurológicas. Alterações nesse cromossomo podem causar distúrbios genéticos, sendo a síndrome do X frágil uma das condições mais conhecidas.

A síndrome do X frágil ocorre quando há uma mutação no gene FMR1, localizado no cromossomo X. Essa alteração reduz ou elimina a produção da proteína FMRP, essencial para o desenvolvimento normal do sistema nervoso. Como consequência, o portador pode apresentar desde dificuldades de aprendizagem até deficiência intelectual leve a moderada, além de atraso na fala e comportamentos característicos do espectro autista.

Estudos mostram que aproximadamente metade dos casos de deficiência intelectual ligada ao cromossomo X corresponde à síndrome do X frágil. Por isso, médicos devem sempre considerar essa hipótese diagnóstica em crianças que apresentam deficiência intelectual sem causa aparente, associada ou não ao autismo. Essa avaliação reforça como algumas condições genéticas específicas podem estar relacionadas ao espectro.

Quais fatores aumentam o risco de autismo?

A relação entre FIV e autismo não é direta. O que se sabe é que o autismo pode estar ligado a condições genéticas, como a síndrome do X frágil, mas também pode ser desencadeado por um conjunto de fatores, formando um processo multifatorial.

A predisposição genética é um dos elementos mais estudados. Famílias com histórico de autismo apresentam risco aumentado, e diversas mutações já foram associadas ao transtorno, envolvendo genes ligados ao desenvolvimento cerebral.

Além da herança genética, fatores ambientais também podem desempenhar um papel importante para o quadro. Entre os principais fatores de risco estudados estão:

  • Uso indiscriminado de antidepressivos durante a gestação;
  • Exposição materna a agrotóxicos e substâncias tóxicas, como a nicotina;
  • Infecções causadas por microrganismos durante a gravidez;
  • Idade paterna avançada;
  • Complicações perinatais, como hipóxia ao nascimento.

A FIV aumenta o risco de autismo?

Futuros pais ou pessoas que estão cogitando um tratamento de reprodução assistida podem se preocupar com a relação entre FIV e autismo, bem como com o desenvolvimento de outras condições genéticas ocasionadas a partir do procedimento de reprodução assistida; porém, a técnica passou por uma grande evolução tecnológica, passando a oferecer incubadoras avançadas, sistemas de cultivo embrionário mais seguros e acompanhamento constante por especialistas.

Pesquisas confirmam que o autismo não está diretamente relacionado à Fertilização in Vitro. Um estudo publicado no Journal of the American Medical Association aponta que os tratamentos de reprodução assistida (incluindo a FIV), por si só, não aumentam o risco de desenvolvimento de transtornos do espectro autista. Ou seja, a associação entre FIV e autismo é infundada.

É possível prevenir o autismo com a FIV?

Embora a relação entre FIV e autismo não signifique um possível aumento no risco de desenvolvimento do transtorno, muitas pessoas enxergam no tratamento uma forma de prevenir condições genéticas. Isso acontece porque a técnica pode ser associada a exames avançados, como o PGT (teste genético pré-implantacional).

O PGT permite identificar alterações cromossômicas e mutações monogênicas em embriões antes de sua transferência para o útero. O processo envolve a biópsia de células embrionárias, que são analisadas em laboratório com técnicas de biologia molecular e sequenciamento genético.

Se o autismo estiver relacionado a uma condição genética conhecida, como a síndrome do X frágil, o PGT pode detectar essa alteração. Assim, apenas embriões livres da mutação são selecionados para a transferência, reduzindo o risco de haver uma doença hereditária.

No entanto, é importante reforçar que o PGT só pode detectar alterações genéticas previamente conhecidas ou mapeadas na família. Caso o autismo seja desencadeado por fatores ambientais, como os mencionados anteriormente, não há possibilidade de prevenção via FIV.

Dessa forma, entender a relação entre FIV e autismo significa reconhecer tanto os avanços da genética quanto os limites atuais dos tratamentos de reprodução.

 

Para saber mais, entre em contato com a Mater Prime e agende uma consulta.

 

Fontes:

Manual MSD;

Ministério da Saúde;

Mater Prime.

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