morfologia estrita

Exame ajuda a identificar possíveis causas de infertilidade masculina. Confira a importância do protocolo a seguir

A morfologia estrita de Kruger é um tipo de análise da qualidade dos espermatozoides produzidos pelo testículo do homem que leva em consideração a forma dos gametas. É um dos critérios avaliados no exame de espermograma, um dos principais testes realizados no homem quando há suspeita de infertilidade conjugal.

No espermograma, os gametas masculinos são avaliados a partir do sêmen coletado, normalmente via masturbação. O exame é colhido em uma sala específica, que tem ligação direta com o laboratório. Uma vez que a amostra chega ao laboratório ela é analisada seguindo alguns parâmetros, dentre os principais estão:

  • Concentração: verifica a quantidade de espermatozoides produzidos;
  • Motilidade: avalia a capacidade de locomoção dos espermatozoides;
  • Vitalidade: verifica a quantidade de espermatozoides vivos;
  • Morfologia: avalia o formato dos espermatozoides.

Para a morfologia estrita de Kruger os espermatozoides são coloridos por meio de corantes especiais e avaliados em microscópio óptico com poder de visualização mil vezes maior.

Com o exame é possível saber a proporção de espermatozoides que apresentam alterações morfológicas, como defeitos na cauda, cabeça ou acrossomo (área localizada na cabeça do gameta, que possui enzimas responsáveis pela penetração no óvulo).

Quanto maior a quantidade de espermatozoides com morfologia alterada, maior a chance de infertilidade masculina.

A morfologia estrita de Kruger estabelece que a quantidade de gametas considerados normais deve ser igual ou superior a 4%, ou seja, de cada 100 espermatozoides pelo menos quatro devem ser normais.

O espermatozoide é considerado normal quando ele tem formato oval, com cabeça de cinco a seis micrômetros de comprimento e três a quatro de largura. Deve ter a região conhecida como acrossomo cobrindo de 40% a 70% da sua cabeça.

Como a análise da morfologia estrita de Kruger ajuda nos tratamentos de reprodução humana

A partir dos valores obtidos no exame é possível definir qual a forma mais adequada de tratamento de reprodução assistida a ser indicada ao casal:

1- Quando menos de 4% dos espermatozoides são normais: o tratamento sugerido, diante de um quadro de infertilidade, seria a Fertilização in Vitro (FIV) pela técnica de ICSI (sigla em inglês para: intracytoplasmic sperm injection; em português injeção intracitoplasmática de espermatozoide), pois a morfologia dos espermatozoides se apresenta alterada, dificultando a fertilização do óvulo.

Nesta técnica, uma agulha fina é usada para colocar o espermatozoide dentro do óvulo. O procedimento é feito com o auxílio de um microscópio, que aumenta a visualização em até 400 vezes. As chances de gravidez natural nesses casos são reduzidas. Morfologia menor que 4%, é denominada teratozoospermia, isto é, alterações do formato do espermatozoide. Os principais fatores que podem levar a isso são: inflamações, algumas drogas, alterações congênitas e varicocele.

2- Quando ≥4% dos espermatozoides são normais: no geral, diante do quadro de infertilidade, sem fatores agravantes femininos, a inseminação intrauterina (IIU) pode ser uma possibilidade.

Quando o índice de morfologia do paciente apresentar 5% ou mais de gametas normais e a concentração de espermatozoides móveis e progressivos for superior a 5 milhões por ml analisado, é considerada possível uma gravidez espontânea ou por meio de inseminação intrauterina, considerada um tratamento de reprodução humana de baixa complexidade.

Quando o espermograma não apresenta a morfologia estrita de Kruger, pode dar a falsa impressão de um exame normal, pois a qualidade dos espermatozoides está sendo avaliada mais superficialmente. Portanto, no caso de investigação da infertilidade do casal, é importante que o espermograma tenha essa morfologia mais detalhada, sempre que possível. O exame só deve ser realizado por técnicos altamente experientes e em laboratórios especializados. Para mais detalhes sobre o protocolo, agende sua consulta com um dos especialistas em Reprodução Humana da Mater Prime.

Fontes:

Dr. Rodrigo Rosa;

Clínica de Reprodução Humana – Mater Prime.

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