Ligamentos uterossacros: o que são e qual sua relação com a endometriose
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- Por: Dr. Rodrigo da Rosa Filho (CRM 119789)
- Publicado em: 20/06/2026
- 4 min. de leitura
Entenda o papel dos ligamentos uterossacros na fertilidade feminina e como a endometriose pode afetá-los
Os ligamentos uterossacros desempenham um papel essencial na sustentação do útero e no equilíbrio das estruturas pélvicas. Apesar de pouco conhecidos, eles ganham grande relevância quando associados a condições como a endometriose, especialmente em suas formas mais profundas.
Se você deseja entender melhor como essa condição se manifesta e afeta seu corpo e a fertilidade, continue lendo o texto abaixo.
Dor intensa pode ser um sinal de endometriose profunda.
Índice
- O que são ligamentos uterossacros?
- A endometriose no ligamento uterossacro é grave?
- Como é realizado o diagnóstico de endometriose no ligamento uterossacro?
- Tratamento para endometriose no tórus uterino
- Qual é a relação entre a endometriose no ligamento uterossacro e a infertilidade?
- Quem tem endometriose no ligamento uterossacro pode engravidar?
- Como a reprodução assistida pode te auxiliar?
O que são ligamentos uterossacros?
Os ligamentos uterossacros são faixas espessas de tecido que sustentam a parte inferior do útero até a base da coluna vertebral (sacro). Eles fazem parte de um grupo de ligamentos e músculos que sustentam os órgãos pélvicos. Cada pessoa tem dois ligamentos uterossacros, um esquerdo e um direito.
A endometriose no ligamento uterossacro é grave?
Neste tipo de endometriose, as células que normalmente revestem o útero crescem no ligamento uterossacro. Esse tipo de endometriose é chamado de endometriose infiltrativa profunda.
Essa forma pode ser mais grave devido à intensidade dos sintomas e ao impacto na qualidade de vida da paciente. A dor pélvica crônica costuma ser mais intensa, especialmente durante a menstruação e as relações sexuais. Além disso, pode haver comprometimento de outras estruturas próximas, como o reto e os nervos pélvicos.
O que significa espessamento do ligamento uterossacro?
Espessamento do ligamento uterossacro é uma terminologia utilizada em alguns laudos de ressonância magnética para descrever uma suspeita de endometriose no ligamento uterossacro.
Sintomas da endometriose no tórus uterino
O tórus uterino é uma região anatômica localizada na face posterior do colo do útero, onde se inserem os ligamentos uterossacros. Essas áreas são locais frequentes de endometriose profunda, que causa sintomas como:
- Dor pélvica intensa;
- Dor durante as relações sexuais;
- Cólicas intensas durante o período menstrual;
- Dor lombar;
- Constipação;
- Dor ao evacuar, especialmente durante a menstruação;
- Sensação de pressão na região pélvica;
Como é realizado o diagnóstico de endometriose no ligamento uterossacro?
O diagnóstico da endometriose no ligamento uterossacro é realizado por meio da avaliação clínica, do exame ginecológico e de exames de imagem, como a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética da pelve. Em alguns casos, a laparoscopia pode ser indicada para confirmar o diagnóstico ou auxiliar no planejamento do tratamento.
Durante o exame ginecológico, o médico pode palpar a região dos ligamentos uterossacros. A presença de dor à palpação ou de alterações sugestivas pode indicar a necessidade de investigação complementar.
A ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética da pelve são os exames de imagem mais utilizados para identificar lesões de endometriose profunda nessa região.
Tratamento para endometriose no tórus uterino
O tratamento para endometriose no tórus uterino depende da gravidade dos sintomas, da extensão da doença e do desejo reprodutivo da paciente, e pode incluir o uso de terapias hormonais — como pílulas anticoncepcionais, agonistas de GnRH ou progestinas, que ajudam a reduzir o crescimento do tecido endometrial e aliviar a inflamação — ou cirurgia.
Durante a cirurgia laparoscópica, são removidos implantes endometriais, aderências e tecido cicatricial localizados nos ligamentos uterossacros, restaurando assim a anatomia e a função pélvica normais. O objetivo é remover toda a endometriose visível, preservando os órgãos e nervos próximos.
Em casos de endometriose infiltrativa profunda, pode ser necessária uma ressecção parcial dos ligamentos. Em casos mais graves, nos quais a doença envolve extensivamente os ligamentos uterossacros e causa dor significativa ou sintomas neurológicos, pode ser realizada uma ressecção completa dos ligamentos uterossacros.
Planos de tratamento geralmente envolvem uma combinação dessas abordagens, adaptadas à condição específica e aos objetivos de fertilidade de cada paciente.
Qual é a relação entre a endometriose no ligamento uterossacro e a infertilidade?
A endometriose no ligamento uterossacro pode afetar significativamente a fertilidade, causando alterações estruturais e funcionais na região pélvica. O crescimento de tecido endometrial sobre os ligamentos pode levar à formação de aderências e tecido cicatricial, que podem distorcer a anatomia dos órgãos reprodutivos. Isso pode obstruir as tubas uterinas ou alterar a posição dos ovários, dificultando a chegada do espermatozoide ao óvulo ou a implantação adequada do embrião no útero.
Além disso, a inflamação crônica associada à endometriose pode afetar negativamente a qualidade dos óvulos e o ambiente uterino, complicando ainda mais a concepção e a gravidez.
Quero aliviar a dor e engravidar!
Quem tem endometriose no ligamento uterossacro pode engravidar?
Sim, uma gravidez bem-sucedida é possível com as opções de tratamento adequadas, que podem incluir intervenções médicas e cirúrgicas. No entanto, as chances podem ser reduzidas dependendo da gravidade da doença e da presença de outros fatores associados.
Como a reprodução assistida pode te auxiliar?
As técnicas de reprodução assistida podem ajudar mulheres com endometriose nos ligamentos uterossacros a obter uma gestação de sucesso. Entre as opções, destacam-se a inseminação intrauterina e a fertilização in vitro (FIV).
A fertilização in vitro permite a fecundação fora do corpo e a transferência do embrião diretamente para o útero, contornando possíveis obstáculos causados pela doença.
Além disso, a reprodução assistida pode ser combinada com o tratamento prévio da endometriose, aumentando ainda mais as chances de sucesso de uma gestação.
A Mater Prime investiga o impacto da endometriose na fertilidade e define o melhor tratamento.
Fontes
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